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Aos corajosos...


   Aos dois leitores desse blog...eu voltei! 
O casamento de um herdeiro do trono britânico com uma atriz americana divorciada com ascendência negra, filha de pai ausente e barraqueiro, me lembrou o que Oscar Wilde escreveu: "O matrimonio é um experiencia, e cada experiencia tem seu preço", e no caso desse casamento o preço parece ser alto. Porém, as reações a um momento que deveria ser exclusivamente de celebração do amor de duas pessoas que apesar das inúmeras diferenças decidiram unir suas vidas pra sempre (ou não!) me deixaram pensativa a ponto de voltar a publicar os dois centavos que escrevo normalmente em sigilo.


    Eu que vivo no país Twitter comecei meu sábado bem cedo e enquanto me arrumava pro trabalho acompanhei por lá o que pude sobre o casamento, todos lindos, o noivo emocionado e a noiva maravilhosa, o sermão super tocante mencionava o poder do amor em uma sociedade tão doente como a nossa, tudo ia muito bem porque afinal era um casamento e é isso que a gente espera mesmo, só que enquanto o dia raiava um pessoal da região odeio tudo e todos do país twitter começou a aparecer pra destruir nossos sonhos de amor encantado.

    Primeiro eles fizeram questão de enumerar todas as culpas que a realeza britânica leva sobre os ombros e que a impedem de viver momentos como aquele, não funcionou muito porque os telespectadores anestesiados não pareciam muito tocados com as mazelas do mundo naquele momento especifico de sonho, afinal fazia tempo que a maioria de nós não via cumplicidade em forma de olhar como existia naquele casal. Depois foi a vez do pessoal da ronda feminista colocar em cheque quão representativo o feminismo da noiva seria, por ela ter escolhido abrir mão da carreira pra ser tornar duquesa já que a regra diz que feminista de verdade nem entra em igrejas pois há risco de crucificação e muito menos casam de branco com sermões que incluem trechos do discurso do Martin Luther King e coral de negros. E por fim, um golpe baixo, a idade das mulheres que assistiam ao casamento encantadas com o respeito e dedicação do noivo que colheu as flores do buquê da noiva e desenhou as alianças que homenageavam a mãe falecida. Onde já se viu um bando de adultas se deixarem levar por uma besteira dessas!

  Foi então que ao me controlar pra não responder uma pessoa na internet que brandava aos quatro cantos razões pelas quais o tal casamento e o amor eram perca de tempo  eu me peguei questionando minha consciência: Quando foi que nos tornamos esses seres cheios de amargura a ponto de desejar que casamentos de gente que nem sabe que existimos não durem? Quem foi que declarou que ninguém é feliz em seus casamentos? e onde foi que encontraram a forma perfeita do amor? (Nem o Léo Jaime encontrou)

  Nietzsche disse que há sempre uma loucura no amor, mas também há sempre um pouco de razão na loucura. Eu nunca encontrei um jeito de certo de amar, nem acredito que exista pois as pessoas são únicas e o que elas esperam de suas relações também, mas existe uma coisa em comum entre todos nós que sinto que é o que move as pessoas que criticam tanto os relacionamentos amorosos dos outros, o medo. A maioria de nós tem medo de amar. O amor é a força mais poderosa que existe nas relações humanas, ele te move sem que você possa controlar, um exemplo disso é quando você capricorniana controladora e ciumenta se vê apaixonada por alguém que tem todas as amigas mulheres e pratica o flerte como esporte e ainda assim decide permanecer porque essa pessoa te faz melhor. O amor não é pra covardes, mas a maioria de nós é. A maioria de nós não se curou das dores do passado e permite que tais feridas interfiram nas relações do presente, como se tudo fosse mera repetição e as pessoas fossem todas iguais, e é daí que surge o pessoal que tem certeza que o casamento do príncipe não vai durar ou que não exista felicidade em relações monogâmicas.

  Eu lembro de ter tido decepções amorosas, daquelas que me fizeram acreditar que eu havia morrido, e talvez eu tivesse mesmo morrido, "Tão bom morrer de amor e continuar vivendo". Mas eu sempre decido por nascer de novo e tentar de novo, sem me deixar amargurar e tentar quantas vezes forem necessárias porque decidir amar uma unica pessoa todos os dias enquanto for possível requer muita coragem nesse mundo cheio de opções. Ou ainda, não tentar, mas não deixar que isso me impeça de enxergar a beleza do amor alheio por mais diferente ou inalcançável  que ele pareça. Exercitar brandura todos os dias apesar de tudo vai nos tornar mais felizes ainda que existam aqueles dias que a gente sinta o amargo do coração na boca. Sejamos corajosos pois como bem disse Machado "essencial é amar"

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